Vinte mil léguas submarinas · Primeira parte

XIII.

Capítulo 13

O oceano Pacífico estende-se de norte a sul, entre os dois círculos polares, e a leste e oeste, entre a Ásia e a América, numa extensão de cento e quarenta e cinco graus de longitude.

Mapa da viagem: Pacífico
Mapa da viagem: Pacífico

O oceano Pacífico estende-se de norte a sul, entre os dois círculos polares, e a leste e oeste, entre a Ásia e a América, numa extensão de cento e quarenta e cinco graus de longitude. É o mais tranqüilo dos mares, com correntes largas e lentas, marés fracas e chuvas abundantes.

Era este o oceano que o destino me levava a percorrer nas mais estranhas condições.

– Vamos determinar exatamente a nossa posição, professor - disse-me o Capitão Nemo - e fixarmos o ponto de partida desta viagem. São onze horas e quarenta e cinco minutos. Vou manobrar para emergir.

Nemo determina a posição
Nemo determina a posição

Ele premiu três vezes uma campainha elétrica e as bombas começaram a expulsar a água dos reservatórios; o ponteiro do manômetro assinalou, pela pressão, o movimento ascensional do “Nautilus” e depois parou.

– Chegamos - disse o capitão.

Dirigi-me à escada central que conduzia à plataforma. Subi os degraus de metal e pelos alçapões abertos cheguei à parte superior do submarino. Munido do seu sextante o Capitão Nemo mediu a altura do sol, que lhe devia fornecer a latitude. Esperou alguns minutos para que o astro chegasse à linha do horizonte. Enquanto procedia a estas observações, nem um só músculo mexia em seu corpo, e o instrumento não estaria mais imóvel se fosse seguro por uma mão de mármore.

– É meio-dia - falou comigo. - Quando quiser...

Lancei um último olhar àquele mar amarelado, próximo de terras japonesas, e desci ao salão.

Ali, o capitão calculou cronometricamente a longitude, que verificou com observações procedentes dos ângulos solares. Depois disse-me:

– Sr. Aronnax, encontramo-nos a cento e trinta e sete graus e quinze minutos de longitude oeste. . .

– De que meridiano? - perguntei vivamente, esperando que a sua resposta talvez me indicasse a sua nacionalidade.

– Professor - respondeu-me - tenho cronômetros regulados pelos meridianos de Paris, de Greenwich, e de Washington. Em sua honra, vou servir-me do de Paris.

Esta resposta nada me revelou. Fiz um aceno com a cabeça e o capitão continuou:

– Trinta e sete graus e quinze minutos de longitude a oeste do meridiano de Paris e trinta graus e sete minutos de latitude norte, isto é, estamos a cerca de trezentas milhas das costas do Japão. Hoje, dia 8 de novembro ao meio-dia, iniciamos a nossa viagem de exploração submarina.

Que Deus nos proteja - falei.

– Agora, professor, peço-lhe licença para me retirar.

Cumprimentou-me e saiu. Fiquei só, absorto em meus pensamentos dirigidos para aquele estranho comandante. Descobriria um dia a que país pertencia aquele homem que se gabava de não pertencer a pais nenhum? Aquele ódio que ele votava à humanidade, aquele ódio que talvez procurasse uma vingança, quem o teria provocado? Seria ele um desses sábios desconhecidos, um desses gênios “aos quais se fez uma ofensa”?

Absorto em meus pensamentos, só me dei conta da entrada de meus dois companheiros quando Ned Land começou a me interrogar sobre a minha entrevista com o Capitão Nemo. Ele queria saber se eu tinha descoberto quem era o capitão, de onde vinha, para onde ia, para que profundezas nos arrastava.

Contei-lhe tudo o que eu sabia, ou antes, tudo o que não sabia. Por minha vez perguntei-lhe o que tinha podido observar.

– Nada. Não vi nada - respondeu-me. - Nem sequer vi a tripulação do navio. Será que também é elétrica?

– Elétrica?

– Estou tentado a pensar que sim. Mas o senhor não faz nem uma idéia de quantos homens há a bordo? Dez, cinqüenta, cem?

– Não lhe sei informar, Land. Aliás, você deve abandonar, de momento, a idéia de se apoderar do “Nautilus” e fugir. Este navio é uma obra-prima da indústria moderna e eu lamentaria perder a oportunidade de observá-lo à vontade. Muita gente aceitaria a situação em que nos encontramos só para poder passear no meio dessas maravilhas. Assim, mantenha-se calmo e tentemos ver o que se passa à nossa volta.

Vista da janela do Nautilus
Vista da janela do Nautilus
Peixes marinhos
Peixes marinhos
Peixes marinhos
Peixes marinhos

Dépêche

Bureau expéditeur : Internet · Destination : à bord du Nautilus

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